Cuidado com o vírus antibrasileiro
São famosos os serviços secretos israelense, russo, chinês, britânico e alemão. Versados em terrorismo e pirataria industrial, controlam uma vasta mão de obra estrangeira, grande parte islâmica. Dos seus milhares de agentes espalhados pelo mundo, nenhum interceptou a ação contra os EUA - onde também fracassaram, juntas, dezenas de instituições autônomas e mais ou menos secretas, com avançados sistemas de espionagem via satélite (como o Echelon), grampo eletrônico (Carnivore) e vigilância coletiva. Êta povo azarado!
Fértil nessas premissas absurdas, a guerra ao Inimigo Barbudo depende de propaganda (e censura) para não cair no ridículo. Sem vilão não há herói. Cá nos trópicos, a histeria resultante é perfeita para extremistas da causa norte-americana, em seu alinhamento pueril e constrangido à “liberdade duradoura”.
O nacionalismo deles é belo e unificador; o nosso, coisa de primatas. Para não nos associarmos ao terrorismo, devemos tolerar que se alugue às cegas a base de Alcântara (MA), sem desenvolver nosso programa espacial; que singelos escritórios da CIA sejam aqui instalados às vésperas de eleições; que loiros de nome estranho saiam do país com borboletas, flores, peixes, algas, DNA indígena e registros folclóricos; e que o macabro Sivam organize enxames de aviões clandestinos, os quais não podemos abater.
Qualquer cidadão imune à demagogia sabe que não é assim tão maravilhoso comer isopor, fugir de terremoto, furacão, nevasca, encapuzados da KKK, assassinos espúrios e terroristas, morder latas de cerveja, rebater a bola que foi jogada contra o baixo ventre e sair correndo para voltar ao mesmo lugar, financiar caubóis psicopatas e presidentes eleitos pela minoria ou que enfiam charutos nas vaginas de estagiárias gordinhas (nada contra as gordinhas). O cidadão imune não quer ser estadunidense, tampouco romeno ou afegão, mas nem por isso odeia o bunda mole que, como todos nós, serve de cobaia morta para seu respectivo governo e não merece ser trucidado por malucos, fardados ou à paisana.
Antiamericanos? Aqui não, Johnny. Procure entre os que proporcionaram a barbárie, por ação ou omissão; eles estão aí bem perto. Nós, os silvícolas, já temos problemas demais. Permita-nos apenas tratar nossos assuntos com bom senso – regalia de poucos, neste planeta doente.