Guilherme Scalzilli

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A imagem dos matadores

Muitos dos assassinos fardados que o psicopata Bush enviou ao Iraque mal deixaram a adolescência. Não têm qualquer noção da atrocidade que praticaram, assim como seus familiares e amigos, que os vêem como heróis libertadores. Acontece que cumprir ordens cegamente é o esteio da vida militar. E, na lógica imbecil da guerra, se lógica há, os pirralhos assassinos e sua gente bem alimentada e limpinha precisavam causar indescritível sofrimento àqueles outros pirralhos assassinos e a sua gente mal alimentada e sujinha. Eram apenas terroristas, traiçoeiros e vulgares. Numa palavra, eram os inimigos: famílias de comerciantes dizimadas num prosaico mercado público, trabalhadores metralhados quando imploravam clemência (de joelhos), bebês deformados por queimaduras, mulheres e crianças fuziladas ao pedir refúgio.

Realmente parece odioso torcer para que um rapagola imberbe e estúpido de Utah seja rasgado em pedaços e pereça numa cratera lamacenta, sacudido de convulsões, chorando pelos entes queridos. Mas para que isso não aconteça ao invasor, devemos tolerar o massacre, a humilhação pública e as torturas sofridas por gente tão imbecilizada e vulnerável como eles, os contribuintes norte-americanos e britânicos que financiam homicidas. Lamento muito, mas na armadilha midiática da “coalizão” (a de escolher um lado) não cairei.

Pois falemos de combates. Se matar inocentes, destruir as instituições, arrasar um patrimônio milenar e jogar uma nação inteira no mais caótico desespero é vencer a guerra, Bush, o psicopata, venceu-a.

Mas por que continuamos perplexos e insatisfeitos, perscrutando os verdadeiros motivos da mortandade e da violência contra uma tradição cultural que remonta a sumérios, assírios, babilônios e persas? Os argumentos oficiais (armas de destruição em massa, fim da ditadura) são tão ridículos quanto as tentativas de corroborá-los. Falou-se de dinheiro, mais especificamente do petróleo, mas, se é questão de grana, sinceramente tenho as minhas dúvidas. Basta estimar os custos de empossar e equipar um governo submisso, remover separatistas e adversários, refazer todas as instituições e implantar a infra-estrutura de uma indústria petrolífera, para não mencionar as já incalculáveis despesas militares da invasão. Não, talvez não seja (apenas) dinheiro.

Talvez devamos relembrar o tal “onze de setembro”, quando o mundo viu a maior potência militar da Via Láctea tomando um tombo horroroso. Da mesma forma como desapareceram as cenas do ataque ao Pentágono e proliferaram as de bombeiros e outros patriotas se sacrificando naquela terça-feira ensolarada, o legado da invasão ao Iraque foram imagens de alívio, gratidão, resgate e conquista. Talvez então este país miserável fosse apenas um cômodo coadjuvante para a grande redenção de uma potência humilhada. O cenário de uma aventura publicitária cujo roteiro deve ser obedecido à risca, mesmo que se precise assassinar jornalistas para tanto.

Mas terá mesmo Bush, o fundamentalista cristão, conquistado os corações e mentes da Humanidade? Ou estará ele criando, por todo o planeta, hordas alfabetizadas e bem pagas de empresários, políticos e intelectuais, atuantes ou em formação, nos quais fermenta um sincero e feroz antiamericanismo?

Felizmente, ainda há guerras que não se vence na bala. Para azar dos psicopatas.

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