Guilherme Scalzilli

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O cansaço da oposição

As manifestações públicas contra o governo federal simbolizam o esgotamento do projeto político oposicionista. São desfiles mórbidos, vazios de conteúdo e representatividade. Extravasam uma bravataria inofensiva, calcada em jargões arcaicos e inconseqüentes, sentimentos ambíguos e descaso programático.

Mesmo o pendor autoritário dos mais exaltados está fadado ao esquecimento. A insistência na polarização social, associando a popularidade de Lula à ignorância dos pobres, exibe um ressentimento pequeno-burguês alienado e desagregador. Ademais, não há apelo moralizante que resista à incoerência dos protestos. É fácil vilanizar Renan Calheiros, mas impossível esconder que ele foi ministro da Justiça de FHC. Um sincero clamor pela ética forçaria os defensores de Geraldo Alckmin a explicar as 70 CPIs enterradas em seu governo. Quem abraça José Serra logo esbarra em Gilberto Kassab e neste descobre Paulo Maluf. Eis por que o movimento precisa fingir uma neutralidade “cívica”.

Hipocrisias à parte, os esforços para disfarçar os vínculos partidários dos organizadores refletem um descaso pela transparência que denuncia inspirações manipuladoras. Enquanto a imprensa aproveita a perplexidade geral para culpar o governo pelos acidentes aéreos, a fachada apolítica dos atos disfarça a mesma apropriação oportunista das tragédias.

Talvez soe ingênuo minimizar a disseminação do antilulismo raivoso. A mídia está repleta de apologistas da indignação frívola, socando mesas, debulhando-se em lágrimas, bradando idiotices. Mas, por enquanto, são apenas espetáculos de catarse terapêutica. Essas pessoas precisam purgar a frustração por se descobrirem impotentes, minoritárias, órfãs de lideranças confiáveis, incapazes de construir um ideário coeso ou apresentar plataformas exeqüíveis. Enfim, cansaram de si mesmas.

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