O lobby antimaconha
O jornalista Ruy Castro costuma afirmar que o “lobby pró-maconha” está prestes a vencer, para malefício da sociedade brasileira. Infelizmente, o consagrado autor equivoca-se: é o poderosíssimo lobby antimaconha que ainda sustenta no país esse proibicionismo arcaico, tolo e ineficaz.
A demonização da droga surgiu nos EUA, para compensar o fracasso da Lei Seca e fortalecer o recém-criado FBI. Depois da Guerra Fria, os entorpecentes substituíram a ameaça comunista no discurso do intervencionismo estadunidense. O modelo repressivo disseminou em escala mundial as conseqüências nefastas da própria Lei Seca – crime organizado, corrupção, marginalidade, consumo galopante. Desmoralizado, foi substituído na Europa, no Canadá e até em regiões dos EUA.
Iniciado o processo de transferir a questão para os âmbitos da saúde pública e da redução de danos, a descriminalização da maconha representa uma evolução histórica inevitável. Os debates sérios superaram definitivamente a tolice do “trampolim” para outras drogas, o preconceito contra o uso recreativo e a ilusão de que o Estado pode gerir a privacidade e o corpo dos indivíduos.
A maconha é menos
prejudicial e viciante que outras substâncias proibidas (cocaína,
heroína) ou controladas (tabaco, álcool, remédios) e
possui propriedades medicinais reconhecidas. Diversos estudiosos, como o Dr.
Raphael Mechoulam, da Universidade Hebraica de Jerusalém, comprovaram
a eficácia da Cannabis em tratamentos de câncer, AIDS, inflamações,
doenças neurológicas e hepáticas, diabetes, osteoporose
e alcoolismo.
Eis por que a bilionária indústria farmacêutica pressiona
para manter a maconha na clandestinidade. O mesmo vale para autoridades médicas,
policiais e religiosas, que completam o lobby dos beneficiários do
proibicionismo e são seus maiores apologistas.