Guilherme Scalzilli

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O Jabor, quem diria?

Tive a honra de assistir a uma dessas “premiações” que acontecem no Centro de Convivência quarta-feira à noite, com coquetel depois, sob a ironia infalível do pessoal do City - espiões privilegiados destes eventos anônimos. Colunáveis de todas as áreas receberam troféus. Discursos, coloridos, lantejoulas, ismouquins e centenas de aflitos pelo vinho branco quente que é servido só até meia-noite, pois o teatro vira, então, uma abóbora. Alguns do City juram que é verdade.

Só lembro que, lá pelas tantas, o apresentador chamou ao palco a proprietária de uma clínica veterinária especializada em acupuntura e hipnose. Juro.

Da mesma forma como a doutora recebeu, na manhã seguinte, alguns bichanos a mais para sua clientela, os patrões de James Cameron foram dormir, no dia 23 passado, sorridentes e agradecidos ao clube.

Manjado e patético, o chôu do óscar consegue ser sempre interessante, pelo menos para quem, como eu, é de assistir até comerciais, comendo batatinha; taí. Ponto positivo: os comerciais-padrão não ferem a sensibilidade nem a paciência de quem, cinéfilo que é, oras bolas, se põe diante da tevê pouco antes de uma ensolarada terça-feira.

Mas há um sério problema nos critérios de avaliação do clube, quando a Direção delibera sobre a premiaç... ops, a festa. Madonna, Ben Affleck, Gus Van Sant, Kim Bassinger, Martin Scorcese e, em geral, os estrangeiros, são exemplos visados pelos membros tradicionais.

Quem realmente manda no barraco? Os poucos magnatas ousariam peitar seus artífices de bilhões, essa lucrativa horda de bastardos? Nã. Fica então um clima como naquelas festas às quais ninguém tem o menor saco de ir, mas todos vão, elegantes e amarelos. Os de casta menor tentam espernear, vingar e aparecer, enquanto os cinzentos organizadores baixam o pau para evitar maiores constrangimentos. Enquanto isso, a loira faixa preta está preparada para arrancar qualquer espertinho que não tenha entendido que vinte segundos quer dizer vinte segundos.

Arnaldo Jabor fez um personagem hilariante, mas Rubinho Ewald e o Apresentador (que não nomeio por educação) vão cuidar pessoalmente para que nosso grande cineasta e seu pedantismo sumam do Jardim Botânico para sempre.

Jabor teve razão em quase tudo. Pudera. O Apresentador chegou a comentar que o agradecimento da “vencedora” em trilha sonora (para “Ou tudo ou nada”!) não citava sua família. Depois chamou Alec Baldwin de “um dos grandes atores de Hollywood”.
Na falta de gente mais divertida, como o velho e bom Abel Ferrara, nos contentamos com Jabor denuniando a barbárie. Como se dizia: putz grila...

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